Cirurgia de Escoliose

O que é a cirurgia de Escoliose e quais são seus objetivos?

A cirurgia de Escoliose é um procedimento indicado para corrigir deformidades da coluna vertebral quando há curvaturas significativas ou progressivas no plano coronal o frontal. A técnica mais comumente utilizada é a Artrodese de coluna ou Fusão espinhal.

Os principais objetivos da cirurgia são:

  • Estacionar a progressão da curva, evitando que a deformidade piore ao longo do tempo,  
  • Reduzir a deformidade, promovendo um melhor alinhamento tridimensional da coluna,  
  • Melhorar o equilíbrio do tronco,  
  • Em alguns casos, aliviar dor e melhorar a função respiratória (especialmente em curvas mais severas).

 

Se você tem dúvidas sobre esta condição, recomendo consultar a página principal sobre Escoliose.  

Para quais casos a cirurgia é indicada?

A indicação cirúrgica não é automática. Ela depende de uma avaliação criteriosa, clínica e radiológica. Em geral, considero cirurgia nos seguintes cenários:

  • Curvas acima de 40–50 graus, especialmente em se o paciente tem maturidade esquelética,
  • Progressão documentada da curvatura ao longo do tempo,  
  • Escolioses que causam dor significativa e persistente, 
  • Deformidades que comprometem o equilíbrio corporal,  
  • Alterações estéticas importantes que impactam a qualidade de vida,  
  • Comprometimento pulmonar em casos mais graves.  

 

Em muitos casos, a decisão é compartilhada com o paciente e a família, considerando expectativas e riscos.  

Para quais casos a cirurgia NÃO É indicada?

Nem toda escoliose precisa de cirurgia. Pelo contrário, a maioria dos pacientes não será operada.

Geralmente, evitamos a cirurgia quando:

  • Curvas leves (abaixo de 40 graus) e que não progridem,
  • Pacientes sem sintomas relevantes,  
  • Quando há boa resposta a tratamentos conservadores (como fisioterapia ou colete),  
  • Condições clínicas que aumentam muito o risco cirúrgico,  
  • Pacientes que não desejam intervenção após orientação adequada.  

Nesses casos, o acompanhamento clínico é o mais adequado. 

Quais as técnicas de cirurgia de Escoliose?

Esta técnica é usada como tratamento para todos os tipos de Escoliose, inclusive Idiopática, e outras condições da coluna, como hérnia de disco. Neste site, há uma página específica sobre ela aqui Artrodese de coluna. De forma resumida, ela é funciona da seguinte forma: 

  • São colocados parafusos e hastes metálicas na coluna, cobrindo toda a curvatura,  
  • A curvatura é corrigida gradualmente,  
  • Os segmentos vertebrais são fundidos, formando um bloco ósseo estável. 

 

Uma vantagem da cirurgia de fusão espinhal é que ela tem um histórico de longo prazo de segurança e eficácia no tratamento da escoliose. Embora uma desvantagem do procedimento seja que qualquer vértebra fundida perderá mobilidade, o que pode limitar algumas das flexões e torções das costas, as fusões espinhais de hoje tendem a fundir menos vértebras e manter mais mobilidade do que no passado.

artrodese escoliose idiopática

Usada em casos de Escoliose Idiopática (crianças e adolescentes em fase de crescimento), esta técnica é conhecida como  sistemas de crescimento. Por retardar a fusão óssea, ela permite o alongamento progressivo da coluna, conforme o paciente cresce.

As hastes são ancoradas na coluna para ajudar a corrigir/manter sua curvatura, enquanto a o paciente cresce.

A cada 6 a 12 meses, o paciente faz outra cirurgia para alongar as hastes para acompanhar o crescimento da coluna.

Uma vez que o paciente esteja perto o suficiente da maturidade esquelética, ele será submetido a uma fusão espinhal (Artrodese de coluna). 

Se a fusão espinhal (Artrodese) for feita em paciente muito jovem (normalmente, meninas com menos de 10 anos e meninos com menos de 12 anos), isso pode deixar menos espaço para os pulmões se desenvolverem, além de o paciente ter um tronco incomumente curto em comparação com os membros.

Para evitar essas complicações, o método de sistemas de crescimento ajuda a guiar a coluna à medida que cresce, evitando que a curva piore enquanto a coluna amadurece e, eventualmente, fique pronta para uma fusão, se necessário.

raio x antes e depois de cirurgia de escoliose idiopática growing rods

Existe a possibilidade de cirurgia minimamente invasiva em Escoliose, mas ela é limitada a casos selecionados. Na maioria das deformidades estruturadas, a abordagem tradicional ainda oferece maior segurança e correção adequada. 

Quanto tempo dura a cirurgia de Escoliose?

O tempo pode variar bastante conforme a complexidade do caso, mas em média, a cirurgia é feita em 4 a 6 horas.

Fatores que influenciam:

  • Grau da curva  
  • Número de vértebras envolvidas  
  • Idade e biotipo do paciente 
  • Técnica usada na  cirurgia

 

Casos mais extensos naturalmente exigem mais tempo e planejamento.  

Como é e quanto tempo demora a recuperação?

A recuperação acontece em fases. De forma geral:

  • Internação hospitalar: 3 a 7 dias,  
  • Retorno a atividades leves: cerca de 4 a 6 semanas,  
  • Retorno escolar ou trabalho leve: em torno de 1 a 2 meses,  
  • Consolidação completa da fusão: até 6 a 12 meses.

Durante esse período:

  • A dor é controlada com medicação,  
  • A mobilidade melhora progressivamente,  
  • A fisioterapia pode ser indicada em casos específicos.  

 

Cada paciente evolui de forma diferente, e o acompanhamento próximo é essencial.  

Quais os riscos da cirurgia de Escoliose?

Como qualquer procedimento de grande porte, existem riscos — embora sejam relativamente baixos quando a cirurgia é bem indicada e realizada por equipe especializada.

Os principais incluem:

  • Infecção,  
  • Sangramento,  
  • Lesão neurológica (rara, mas possível),  
  • Falha de implantes (parafusos ou hastes),  
  • Não consolidação da fusão (pseudoartrose),  
  • Necessidade de reoperação.  

 

Hoje, utilizamos monitorização neurológica intraoperatória, o que aumenta significativamente a segurança do procedimento.  

Quais as limitações após a cirurgia?

Após a recuperação completa, a maioria dos pacientes retorna a uma vida normal, com poucas restrições.

No entanto, algumas limitações podem existir:

  • Redução da mobilidade da região operada,  
  • Evitar esportes de alto impacto nos primeiros meses,  
  • Em fusões mais extensas, pode haver alguma limitação em movimentos de flexão e rotação.  

 

Por outro lado:

  • A grande maioria retoma atividades físicas,  
  • Muitos pacientes relatam melhora na postura, autoestima e qualidade de vida.  

 

A recomendação sempre será individualizada — o objetivo é permitir uma vida ativa, com segurança e estabilidade da coluna.

Casos práticos

raio x de antes e depois de cirurgia de escoliose idiopática
Correção de escoliose “C” idiopática toracolombar
raio x de antes e depois de cirurgia de escoliose idiopática
Correção de escoliose “S” idiopática dupla-curva

Perguntas relacionadas

A Escoliose pode voltar depois da cirurgia?

De forma geral, a Escoliose não “volta” após uma cirurgia bem indicada e bem executada. O objetivo do procedimento é corrigir a curvatura e estabilizar a coluna por meio de implantes e fusão óssea, o que impede a progressão naquele segmento operado.

No entanto, existem algumas situações que podem dar a impressão de retorno:

  • Progressão em segmentos não operados, principalmente em pacientes ainda em crescimento,  
  • Falha de fusão óssea (pseudoartrose), situação rara, mas possível,  
  • Desgaste natural com o passar dos anos em outros níveis da coluna.  

 

Na prática clínica, com técnicas modernas e seguimento adequado, a taxa de recorrência significativa é baixa. Cada caso, porém, precisa ser acompanhado ao longo do tempo.  

Com quantos graus de Escoliose faz cirurgia?

A indicação cirúrgica não depende apenas do número exato de graus, mas sim de um conjunto de fatores clínicos e radiográficos.

De forma geral, consideramos:

  • Curvas acima de 45 a 50 graus em pacientes em crescimento,  
  • Curvas progressivas, mesmo em adultos,  
  • Presença de dor significativa, deformidade visível ou comprometimento funcional  
  • Casos com impacto respiratório ou estético relevante.  

 

A decisão é individualizada. Para entender melhor como esses critérios são avaliados, leia a página sobre Escoliose.

Escoliose tem cura sem cirurgia?

Depende do que chamamos de “cura”. Em muitos casos, especialmente nas formas leves a moderadas, é possível controlar a progressão e melhorar sintomas sem cirurgia ou estacionar a evolução da curvatura.

As principais abordagens incluem:

  • Fisioterapia específica para escoliose (ex: método Schroth)  
  • Uso de colete ortopédico em pacientes jovens sem maturidade esquelética,
  • Fortalecimento muscular e reeducação postural.  

 

Essas medidas visam estabilizar a curva e melhorar a qualidade de vida, mas, em geral, não eliminam completamente a deformidade estruturada.

Quem fez cirurgia de Escoliose pode engravidar?

Sim, a cirurgia de Escoliose não impede a gravidez. A grande maioria das pacientes pode engravidar e ter uma gestação normal.

Alguns pontos importantes:

  • A cirurgia não afeta diretamente a fertilidade,  
  • O acompanhamento pré-natal deve ser habitual, com atenção à coluna,  
  • Em alguns casos, pode haver discussão com a anestesia sobre o tipo de parto.  

 

Após a recuperação completa, a paciente costuma levar uma vida normal, incluindo gestação e parto, com segurança.  

Quem fez cirurgia de Escoliose pode se aposentar?

A cirurgia, por si só, não determina aposentadoria. O que define isso é a capacidade funcional do paciente após o tratamento que depende da perícia previdenciária. 

Na maioria dos casos:

  • O objetivo da cirurgia é justamente melhorar a capacidade de vida e trabalho
  • Muitos pacientes retornam às suas atividades profissionais normalmente,  
  • A aposentadoria só é considerada em situações com limitação funcional relevante e persistente.  

 

Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando o tipo de trabalho e a evolução pós-operatória.  

Depois da cirurgia de Escoliose pode fazer academia?

Sim, após o período de recuperação, a prática de atividade física é não apenas permitida, como recomendada.

Costumo orientar:

  • Retorno gradual às atividades após liberação médica,  
  • Foco em fortalecimento muscular e condicionamento físico,  
  • Evitar cargas excessivas no início,  
  • Preferir treino com orientação profissional,  
  • Evitar movimentos de flexo-extensão.

 

A musculatura bem fortalecida ajuda a proteger a coluna e manter os resultados da cirurgia. Com o tempo, muitos pacientes conseguem treinar normalmente, inclusive em academia.  

Cirurgia de Escoliose aumenta a altura?

Sim, em muitos casos há um ganho de altura após a cirurgia, mas isso não é o objetivo principal do procedimento.

Esse aumento ocorre porque:

  • A correção da curvatura endireita” a coluna,  
  • Reduz a compressão e o desvio lateral.  

 

O ganho varia de paciente para paciente, mas geralmente fica entre 2 a 5 centímetros, dependendo da gravidade da curva antes da cirurgia.

É importante destacar que o foco da cirurgia é corrigir a deformidade, evitar progressão e melhorar a qualidade de vida, e não apenas a estatura.

Conclusão

Em resumo, a cirurgia de Escoliose é uma ferramenta segura e eficaz quando bem indicada, voltada principalmente para interromper a progressão da curvatura, corrigir deformidades e melhorar a qualidade de vida do paciente. Embora envolva riscos e um período de recuperação que exige acompanhamento próximo, os avanços técnicos têm tornado o procedimento cada vez mais previsível e com bons resultados funcionais e estéticos. A decisão pela cirurgia deve sempre ser individualizada, baseada em critérios clínicos claros e alinhada às expectativas do paciente, lembrando que, na maioria dos casos, a escoliose pode ser acompanhada sem necessidade de intervenção cirúrgica.

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