Espondilose (artrose na coluna): sintomas e como tratar

Coluna saudável ao lado de coluna com Artrose
Você sente dores constantes na coluna que limitam seus movimentos e atrapalham sua rotina? Esse desconforto, muitas vezes ignorado no início, pode ser sinal de um problema mais sério: a Espondilose, também conhecida como artrose na coluna. Este artigo vai ajudá-lo a compreender o que é essa condição, suas principais causas, sintomas e fatores de risco, além de apresentar as opções de diagnóstico e tratamento disponíveis.

neste artigo, você vai saber:

Com mais de 25 anos atuando como neurocirurgião especialista em coluna, aprendi que informação clara e confiável ajuda a reduzir medos e a orientar decisões. A espondilose, também chamada de artrose na coluna, desgaste na coluna, osteoartrite da coluna ou espondiloartrose, é extremamente comum, principalmente após os 40 anos. A seguir, respondo às dúvidas mais frequentes sobre o tema.

O que é Espondilose?

Espondilose é o nome usado para definir o desgaste natural das estruturas da coluna, especialmente discos intervertebrais, articulações facetárias e ligamentos. Esse desgaste ocorre com o passar dos anos, mas pode ser acelerado por fatores como genética, sobrecarga e traumas. 

Com o tempo, o disco perde água e altura; as articulações desenvolvem inflamação e pequenas protuberâncias ósseas chamadas osteófitos (bicos de papagaio). Essas alterações podem ou não causar sintomas. Quando causam, tendem a gerar dor, rigidez e, em alguns casos, compressão de nervos.

A Espondilose pode ocorrer em qualquer parte da coluna, mas é mais comum nas regiões lombar e cervical.

O que causa Artrose na coluna?

Além do envelhecimento, que é a causa mais comum, existem outros fatores que podem contribuir para o desenvolvimento dessa condição:

  • Genética: a predisposição genética pode aumentar o risco de degeneração precoce da coluna;
  • Lesões ou traumas: acidentes ou lesões na coluna podem acelerar o processo de desgaste;
  • Excesso de peso: o sobrepeso coloca pressão adicional sobre a coluna, acelerando o desgaste das estruturas vertebrais;
  • Estilo de vida sedentário: a falta de atividade física pode enfraquecer os músculos de suporte da coluna, contribuindo para a degeneração;
  • Movimentos repetitivos: atividades que envolvem movimentos repetitivos ou levantamento de cargas pesadas podem desgastar as articulações e discos da coluna;
  • Má postura: postura inadequada ao sentar, ficar em pé ou levantar objetos pode causar estresse adicional na coluna;
  • Doenças associadas: algumas condições médicas, como a osteoporose, podem contribuir para a fragilidade dos ossos da coluna, aumentando o risco de Espondilose.

Esses fatores, isoladamente ou em conjunto, podem acelerar o processo de degeneração da coluna, levando à Espondilose.

Quais os sintomas de Artrose na coluna?

Os sintomas variam conforme o segmento da coluna afetado. Nem sempre dor forte significa doença grave; às vezes, sintomas discretos refletem alterações mais avançadas. Cada região possui um padrão típico.

Espondilose Cervical (pescoço):  

  • Dor no pescoço, que pode irradiar para ombros e braços.  
  • Formigamento, dormência ou fraqueza nos braços.  
  • Cefaleia de origem cervical.  
  • Rigidez pela manhã.  
  • Em casos avançados, dificuldade de coordenação fina e alteração do equilíbrio.

Espondilose Dorsal/Torácica (meio das costas):  

  • Dor localizada entre as escápulas.  
  • Sensação de peso ou cansaço postural.  
  • Raramente causa irradiação, mas pode gerar dor no tórax, o que às vezes assusta o paciente.

Espondilose Lombar:  

  • Dor na lombar que piora ao levantar, inclinar ou ficar muito tempo sentado.  
  • Rigidez matinal.  
  • Dor irradiada para glúteos e coxas.

Espondilose Lombossacra (L5-S1):  

  • Dor lombar com irradiação para as pernas (ciatalgia).  
  • Formigamento, sensação de choque ou dormência nas pernas.  
  • Fraqueza muscular em casos mais graves.  
  • Dificuldade para permanecer sentado por longos períodos.

Como é feito o diagnóstico de Espondilose?

O diagnóstico é clínico e complementar. Sempre começo com uma conversa detalhada e exame físico, avaliando postura, mobilidade, força e reflexos.

Os exames mais utilizados incluem:  

  • Radiografia da coluna, que mostra osteófitos e redução dos espaços discais.  
  • Ressonância magnética, que detalha discos, nervos e articulações.  
  • Tomografia, útil em casos que exigem análise mais precisa do osso.

Nem sempre uma imagem “ruim” significa dor intensa. Exames devem ser interpretados à luz dos sintomas, algo que observo diariamente na prática clínica. É a chamada correlação clínico-radiológica.

Desgaste na coluna é grave?

Na maioria dos casos, não é grave. É uma condição comum do envelhecimento. Mas pode se tornar preocupante quando há:

  • Dor intensa e persistente.  
  • Perda de força ou sensibilidade.  
  • Alterações na marcha.  
  • Comprometimento neurológico significativo.

Quando esses sinais aparecem, a avaliação especializada é fundamental.

Artrose na coluna tem cura?

A espondilose não tem cura no sentido de “reverter totalmente o desgaste”. Entretanto, é perfeitamente possível controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e desacelerar a progressão. Muitos pacientes levam a vida normal após ajuste de hábitos e tratamento adequado.

Quais os tratamentos para Espondilose?

O tratamento deve ser individualizado. As principais abordagens incluem:

  • Mudanças de hábitos, como controle de peso, ergonomia e atividade física regular.  
  • Fisioterapia focada em fortalecimento, mobilidade e estabilidade da coluna.  
  • Medicações anti-inflamatórias e analgésicas, quando necessário.  
  • Infiltrações ou bloqueios, úteis em casos de dor aguda ou persistente.  
  • Uso de calor local e técnicas de relaxamento muscular.  
  • Cirurgia, indicada apenas quando há compressão neurológica importante, instabilidade, deformidade ou falha dos tratamentos conservadores.

Com acompanhamento adequado, a grande maioria dos pacientes melhora sem precisar de cirurgia.

Como prevenir?

A prevenção do desgaste na coluna envolve cuidados simples, mas consistentes:

  • Manter musculatura forte, especialmente abdômen e região lombar.  
  • Evitar o sedentarismo.  
  • Usar postura correta no trabalho e ao dormir.  
  • Levantar cargas com técnica adequada.  
  • Manter o peso corporal dentro do ideal.  
  • Não fumar.  
  • Fazer alongamentos regulares.

Perguntas frequentes

O que significam Espondilose incipiente e Espondilose discreta?

Significam degeneração (desgaste natural).

Artrose na coluna é incapacitante? Aposenta?

Na maioria dos casos, a artrose na coluna não é incapacitante. Com tratamento adequado, fisioterapia, atividade física e controle da dor, a maioria dos pacientes leva uma vida normal.  

Em situações mais avançadas, quando há compressão neural severa, rigidez importante ou dor crônica intratável que impede o exercício da profissão, o quadro pode sim causar incapacidade funcional. A concessão de aposentadoria por invalidez depende de avaliação médica pericial do INSS, que considera não apenas a presença da doença, mas o impacto dela sobre a capacidade laboral do indivíduo.  

Quem tem desgaste na coluna pode fazer pilates, caminhada, musculação ou andar de bicicleta?

Sim, na maioria dos casos, pessoas com desgaste na coluna, como a espondilose ou a artrose vertebral, podem — e devem — manter-se ativas. O movimento é essencial para preservar a mobilidade, fortalecer a musculatura paravertebral e reduzir a dor.  

– Pilates: é excelente, pois trabalha o alongamento, a força e o controle postural, reduzindo a sobrecarga sobre as articulações.  

– Caminhada: indicada em superfícies planas e com calçados adequados; melhora a circulação e a resistência física.  

– Musculação: também é positiva, desde que os exercícios sejam supervisionados e realizados com cargas leves e boa técnica. O fortalecimento muscular protege as articulações da coluna.  

– Bicicleta: preferencialmente ergométrica, pois minimiza o impacto. É importante ajustar o banco e o guidão para manter a coluna neutra.  

Sempre recomendo que o paciente passe por uma avaliação médica e de um fisioterapeuta antes de iniciar ou modificar qualquer programa de atividade física.  

Qual o melhor exercício para quem tem artrose na coluna?

O melhor exercício é aquele que promove movimento sem dor e respeita os limites individuais. Em geral, as atividades de baixo impacto são mais indicadas:  

– Pilates e alongamentos orientados;  

– Caminhadas leves;  

– Hidroginástica e natação, que reduzem a sobrecarga articular;  

– Exercícios de estabilização da coluna e fortalecimento do core (músculos do abdômen e lombar).  

O ideal é combinar fortalecimento, flexibilidade e condicionamento cardiovascular, sempre com acompanhamento profissional.  

Quem tem artrose na coluna pode ficar sem andar?

É muito raro que alguém com artrose vertebral fique sem andar. A artrose é uma doença degenerativa, crônica e progressiva, mas geralmente evolui de forma lenta. A perda dos movimentos só ocorre em casos extremos, quando há compressão intensa da medula espinhal ou das raízes nervosas, levando à fraqueza ou alterações motoras importantes. Com acompanhamento adequado e intervenções precoces, essas complicações são evitáveis. 

Qual a melhor posição para quem tem artrose na coluna?

A melhor posição é aquela que mantém a coluna em alinhamento neutro e confortável. Recomenda-se:  

– Ao dormir, preferir de lado com um travesseiro entre os joelhos ou de barriga para cima com um travesseiro sob os joelhos;  

– Evitar colchões muito moles ou excessivamente duros;  

– Sentar-se com apoio lombar e pés bem apoiados no chão;  

– Evitar permanecer sentado ou em pé por longos períodos sem movimento.  

Durante o dia, pequenas pausas para alongar e mudar de posição são essenciais.  

Quem tem Espondilose pode pegar peso?

Depende do grau da espondilose e da presença de dor ou compressão nervosa. Levantar grandes cargas, principalmente com postura incorreta, pode agravar o desgaste e precipitar crises. Porém, com orientação e fortalecimento muscular, é possível levantar objetos do dia a dia e até realizar exercícios com pesos leves, desde que a execução seja correta e supervisionada. O ideal é aprender técnicas seguras de levantamento, sempre evitando movimentos bruscos ou torções lombares excessivas.  

A Espondilose pode causar bicos de papagaio?

Sim. Os bicos de papagaio, ou osteófitos, são uma das manifestações clássicas da espondilose. Eles aparecem como resultado da tentativa do corpo de estabilizar as vértebras desgastadas, formando projeções ósseas nas bordas das vértebras. Embora muitas vezes não causem sintomas, podem, em alguns casos, comprimir nervos e gerar dor, formigamento ou rigidez.  

Qual é mais grave: Espondilite ou Espondilose?

A espondilite é, em geral, mais grave. Ela se refere a processos inflamatórios da coluna, como na espondilite anquilosante, uma doença autoimune que pode levar à fusão das vértebras e perda significativa da mobilidade. Já a espondilose é uma condição degenerativa e mecânica, decorrente do envelhecimento e desgaste articular. Enquanto a espondilose é controlada com fisioterapia, exercícios e cuidados posturais, a espondilite pode exigir medicações imunossupressoras e acompanhamento reumatológico.  

Qual o CID para Espondilose?

O CID-10 para espondilose é M47 – Espondilose, podendo ser complementado conforme a região afetada:  

– M47.0 — Espondilose com mielopatia;  

– M47.1 — Espondilose com radiculopatia;  

– M47.8 — Outras espondiloses especificadas;  

– M47.9 — Espondilose não especificada.  

Essa codificação é utilizada em laudos médicos, atestados e relatórios para fins de diagnóstico e registro clínico.  

Conclusão

A Espondilose é uma condição degenerativa comum, resultado do desgaste natural da coluna ao longo dos anos, que pode ser controlada com hábitos saudáveis, acompanhamento médico e prática regular de atividades físicas de baixo impacto. Reconhecer precocemente seus sinais, adotar posturas corretas e fortalecer a musculatura são atitudes que fazem diferença no controle da dor e na prevenção da progressão da doença. Mais do que tratar os sintomas, o objetivo é preservar a mobilidade e a qualidade de vida. Portanto, cuide bem da sua coluna: ela é o eixo do seu corpo e merece atenção em cada fase da vida.

Referências: